O vírus da ostentação

Vamos refletir um pouco?

Artistas e até pessoas que não são famosas gostam de mostrar, nas suas redes sociais carros, jatinhos, lanchas e outros artigos de luxo que custam muito dinheiro. Vejo muita gente com a necessidade de marcar a localização dos restaurantes caros que frequentam, quando postam fotos nas suas redes sociais, além de outros lugares, como forma de ostentar o que acreditam ser felicidade.

Não vejo nenhum erro em se fazer essas coisas quando o que se quer mostrar é a alegria pela celebração do momento (um aniversário, comemoração de algum projeto com os colegas de profissão ou comemoração de alguma outra conquistas). É agradável estar com amigos e parentes em ambientes bonitos, organizados, que nos ofereçam serviços de qualidade, pois tudo isso nos proporciona conforto. É agradávél, sim, estarmos em ambientes luxuosos.

O que não me parece salutar é a necessidade que muitas pessoas têm de estar SEMPRE nesses locais; em apenas ver alegria nas comemorações realizadas nesses ambientes; em apenas dar valor ao que se adquire com muito dinheiro. Salutar, para mim, é saber viver a vida de forma equilibrada… É não se deixar levar apenas pelo luxo, pelo belo e pelo caro. É saber dar valor as coisas que têm o seu valor sem custar muito dinheiro… É saber valorizar as riquezas que a natureza nos oferece; é gostar também das coisas simples; é querer estar presente na vida de pessoas que não tem nada de luxo para nos dar…

Quanto mais nos aproximamos da natureza, mais nos conhecemos!!

Veja que quando estamos em frente a uma cachoeira ou ao mar ou quando admiramos um pomar ou um viveiro, se persistirmos nessa vivência e se o ambiente estiver silencioso, pensamentos em forma de questões aparecerão na nossa mente. Reflexões surgirão e é nessa hora que decidimos dar valor a eles e nos aprofundamos no nosso ser ou abafamos todos eles e vamos atrás da zoada na sociedade… E aqui fazemos a nossa escolha: sermos nós ou sermos o outro?

Tenho certeza que você já teve ideias altruístas maravilhosas, mas não deu valor a elas porque sentiu que seria criticado, ridicularizado como bobo(a) pelos familiares/amigos. E aí, pelo menos nesse aspecto, você preferiu seguir com a massa… Percebe que nesse momento (e em tantos outros) você acabou dando mais valor ao outro do que a si? Você abafou a sua voz interna e preferiu fazer o que as pessoas querem? O que as pessoas valorizam?

Não, você não vivenciou isso sozinho(a)… Eu também já vivenciei isso e preferi fazer o que não me agradava, mas era agradável para a sociedade. E claro que incentivei a outros a fazerem o que eu estava fazendo. É aqui onde mora o perigo!! Não percebemos, mas somos, a todo momento, formadores de opinião. Você tem um filho, um sobrinho, um irmão, um primo, um tio (sim, mais velhos também copiam mais novos), muitos amigos e tantos outros conhecidos que, por lhe admirarem de alguma forma, acabam – ainda que no subconsciente – associando o que eles mais gostam em você com os seus comportamentos e forma de pensar.  E justamente por lhe admirar acabam lhe imitando.

E quando nos damos conta, vemos que nós e a sociedade estamos doentes…

Como a felicidade advinda da aquisição dos bens materiais é efêmera, surge uma outra necessidade para complementar essa equivocada felicidade: a exibição. E esse vírus da ostentação é disseminado contaminando a todos que não souberam fortalecer o seu interior.

Veja que quão maior for o seu vazio interno, mais coisas materiais você vai querer adquirir numa tentava inconsciente (e equivocada) de se preencher…

Tem gente que só quer o celular top; compra um carro com um valor maior do que as suas possibilidades porque acredita que só assim as pessoas lhe darão valor; só quer usar roupa que tenha o nome das grifes (não basta ser de uma determinada grife, precisa ter o nome ostentado); e outras futilidades que todos sabemos.

Desde que fui assaltada na porta da minha casa – há pouco mais de 2 anos – que venho refletindo sobre isso com maior intensidade… Pela graça de Deus, eu e meu marido não sofremos nenhuma agressão. Eu mesma fui obrigada a arrancar a minha corrente de ouro grossa com um pingente de cristal  para entregar. Era uma corrente que meu marido havia me presenteado no meu aniversário no primeiro ano de namoro e por isso tinha um valor afetivo. Meses depois, quando voltamos à joalheria (onde ele havia comprado) para comprar um presente para a filha de uma amiga, ele me perguntou se eu queria outra, mas por acreditar que algo eu precisava aprender com aquela situação, eu não quis. Relembrei que muitos bens materiais trazem mais preocupação e necessidade de manutenção…

Fui me dando conta de que as pessoas com poucos recursos materiais que desconhecem os reais valores da vida, não aceitam facilmente ver outras pessoas com os artigos que elas desejam e tentam ter igual. Como a nossa conjuntura política e econômica não nos proporciona certas possibilidades, a violência impera em função dos falsos valores estimulados por nós mesmos.

Ao invés de você querer tudo além do necessário, busque o suficiente e compartilhe a sobra com quem precisa de comida e tratamento de saúde, pelo menos. Ainda que a sua doação seja pouca, se outras pessoas também fizerem isso (e o farão porque lhe admiram de alguma forma e mais cedo ou mais tarde lhe copiarão), poderemos viver um dia numa sociedade mais equânime.

Antes de finalizar, quero dizer que esse texto reflete a minha maneira de pensar na maioria das vezes, pois por ser humana posso falhar em alguma situação pontual… Foi o que aprendi desde criança e é o que compartilho com o meu marido e penso em ensinar aos meus filhos. Se você pensa diferente de mim, respeito o seu jeito. Acredito que você brevemente se conhecerá um pouco mais e saberá que a abundância já existe dentro de você. E isso já lhe trará felicidade, pois não haverá uma grande insatisfação.

Nada contra carros bons, lanchas, casas bem decoradas e roupas bonitas. Mas vamos, junto a isso, tentar praticar o equilíbrio.

Já tem um tempo que pensei em escrever sobre isso, e o faço hoje porque ontem recebi  do meu irmão de consideração (Douglas) o lúcido vídeo de Edu Krieger: “Resposta ao Funk Ostentação“.

Assim como eu, você pode não gostar muito de algumas palavras que o Edu usou e da comparação entre “brancos e negros”, porém ficamos com a reflexão da mensagem sobre a ostentação.  Assista o vídeo abaixo.

Parabéns, Edu, pela sua contribuição!!!

Querido(a) convidado(a), obrigada pela visita. Que sua semana seja de paz!!

Se você gostou dessa leitura, compartilhe com seus amigos. 

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